Lençóis, 5 lugares em um só dia!

Acordamos razoavelmente cedo, tomamos o farto café da manhã de Val no Pouso da Trilha, conhecemos nossos parceiros de trilha: um casal curitibano experientes em trilhas, duas baianas de Salvador e um senhor de quase 70 anos, o Seu Paulo. Hoje não tinha tapioca no café, mas Val disse que amanhã terá (para minha alegria!). Eba! Adoro tapioca local! Porque as de SP não tem o mesmo sabor, então num dá para matar a saudade direito.

O passeio de hoje foi anunciado como “Bemmmm tranquilo”. Sinceramente não sei se estou muito fora de forma ou se eles falam isso para não desanimar o turista. De fato a dificuldade não foi assim tão alta, mas visitamos 5 lugares diferentes, que vou descrever a seguir.

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A primeira parada com nossa Toyota Bandeirantes “roots” foi o Poço do Diabo. Seguimos por uma trilha leve que inicia num restaurante na estrada BR-242. A paisagem é linda e novamente quartzos com arenito e aquela água escura alaranjada. O caminho foi tranquilo. Nos banhamos no poço, que tinha uma queda d’água alta e forte. Novamente um oásis, banho delicioso e refrescante. Atrasamos um pouco nosso retorno pois perdemos nosso grupo de vista, mas chegamos em tempo hábil para seguirmos para a Gruta da Lapa Doce, onde aprendemos que caverna não tem saída, e gruta tem. Eu não sou muito chegada em cavernas e ambientes escuros, mas fui. É a terceira maior gruta do Brasil, tem várias entradas de pequenas cavernas, estalactites, estalagmites, uma caverna normal com formações que se parecem com várias figuras, mas o diferente mesmo foi umas piscininhas de calcário com água azul parecidíssimas com a da TurquiaPamuKale! Bem lindas, pena que estão no breu total, que aliás experimentamos por cerca de 1 minuto. Confesso que se não fosse o celular e a mão do JP, teria apavorado mais! Depois desta gruta seguimos para o almoço por ali mesmo, onde provei a tal Palmas, que é aquele cactus verde escuro parecido com raquetes de frescobol. Por todo o caminho na BA vimos plantações disto e me pareceu bastante nutritivo e saboroso!  Aprovado!

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Seguimos para a Gruta Azul e da Pratinha. Elas se conectam pelo rio que tem a mesma água em ambas. E tem um azul mais lindo que qualquer piscina! Impressionante! Com os raios solares fica ainda mais incrível! Azulão! Alguns peixinhos vivem na Gruta Azul, que não é permitida para banho, já que o fundo é argiloso e se alguém pisar ali perderia toda a visibilidade por até 6 horas. Portanto os 74 degraus só nos leva a observar a maravilha.

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Já a Gruta da Pratinha tem solo com micro conchinhas! Sério, são MICRO! Umas conchinhas de uns 2mm! Muito bonitinhas! E doem o pé ao pisar, mas como tem bastantes placas de arenito, é só seguir o caminho das pedras, literalmente, na água rasa para não machucar os pézicos. Bom, na Gruta da Pratinha, como é uma área particular, tem dois passeios disponíveis: a tirolesa  que cai no piscinão aberto da gruta (água azul e cristalina) e a flutuação na caverna. Por ser um passeio exótico, escolhemos fazê-lo e custou 20 reais para cada um, com todo o equipamento e guia. Eu demorei a topar o passeio, já que não sou nenhum pouco fã de cavernas, mas quis acompanhar meu doce amado. E não me arrependi. Ficamos na entrada da gruta para vestirmos o colete salva-vidas, colocarmos as nadadeiras e cuspirmos nos óculos do snorkel. A água era fria, mas estava OK. O passeio percorre por 130 metros adentro da gruta e cada dupla  (aliás a minha dupla, o JP, eu não larguei nem para amarrar a lanterna no pulso) tinha uma lanterna de longo alcance! A água era transparentíssima e fomos num salão da gruta com quase 15 metros de profundidade! Com a lanterna, conseguimos ver cada centímetro desta imensa gruta de arenito e água límpida! Vimos alguns peixes grandes no fundo e ficamos emocionados! A fenda para a gruta Azul é no fundo deste grande salão e só pode seguir quem tem curso de mergulho específico para cavernas, já que o percurso é por um túnel de vários metros e 3 metros de diâmetro! Eu, certamente, entraria em pânico. Com muito esforço consegui fazer este passeio, mas em certas galerias quando tirava a cabeça da água, e percebia que estávamos com menos de 2 metros de ar acima de nossas cabeças, enfiava a cara na água de novo para abstrair. Quando chegamos no salão de 15 metros de profundidade… nossa! Tive que segurar o emocional com todas as forças para vencer o pânico! E segurei a mão do JP o mais forte que consegui! He! He! Até que o guia teve a brilhante ideia de testarmos o escuro total da gruta por 30 segundos, quando num timbre de total desespero eu disse: “Ahhh! Nãããoo!”. O João me abraçou, o frio tava me tirando a concentração do controle emocional, mordia a borrachinha do snorkel com toda a força mesmo com a cabeça fora da água e o João percebendo o absurdo fala: “Pode tirar o snorkel”, eu abro a boca sem balbuciar nada, o abraço forte, entrelaço as pernas, respiração ofegante até que o guia decide cessar o sofrimento para eu não ter um ataque de pânico. Ufa! Lanternas acessas, rumando para a boca, faltava menos de 15 minutos para acabar o passeio, fiquei com menos medo, já que conhecia o percurso, mas o frio tava de lascar e prejudicou a respiração. O resultado foi uma quase que imediata dor de garganta. Quando chegamos na boca da gruta, mais peixes viviam ali e a paisagem debaixo do sol realmente é muito mais interessante e linda que na completa escuridão. He! He! Mas a flutuação foi muito legal. Gastamos mais uns 20 minutos na pratinha, onde comprei um pacotinho de Licuri (espécie de amendoim com gosto de coco) de um senhorzinho desdentado simpaticíssimo.

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E seguimos para o morro do Pai Inácio para apreciarmos o belíssimo pôr-do-sol. Lá no morro subimos por uns 30 minutos até o topo, avistamos tudo que é morro da Chapada! Paisagem de tirar o fôlego e o vento de arrancar o boné. Mais uns quinze minutos e observamos o sol se escondendo atrás de outra montanha! E que bela paisagem! Que momento mais especial! Cercados de vegetação que cresce na rocha, aquele morro imenso, aquela paisagem belíssima e ainda ao lado do meu querido! Que mais quero eu senão um sol se pondo dando cor alaranjada ao rosto do meu lindo e às pedras e vegetação! Maravilhoso fim de dia!

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O jantar? Ahhh… o jantar pediu luz de velas e comida típica da chapada baiana! Arroz vermelho integral com purê de banana da terra e carne seca! Acompanhada de deliciosa cachaça local, que já ganhou o primeiro lugar das cachaças brasileiras: cachaça Serra Azul! Hummmmm…

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